O AMBIENTE ESCOLAR E O RACISMO
O documento intitulado Parâmetros Curriculares Nacionais introduziu a temática denominada Pluralidade Cultural para abordar entre outros aspectos, uma crítica às relações sociais discriminatórias e excludentes que permeiam a sociedade brasileira, provendo assim, uma discussão as práticas racistas dentro da sala de aula.
Um trabalho tendo em vista o estudo desta temática tem como responsabilidade apresentar aos alunos a caracterização do Brasil em toda sua diversidade, as relações possíveis nesta soeciedade, bem como os problemas sociais vividos e as transformações cabíveis para uma vida melhor para todos que aqui vivem. Isso porque,
Considerar a diversidade não significa negar a existência de características comuns, nem a possibilidade de constituirmos uma nação, ou mesmo a existência de uma dimensão universal do ser humano. Pluralidade Cultural quer dizer a afirmação da diversidade como traço fundamental na construção de uma identidade nacional que se põe e repõe permanentemente, e o fato de que a humanidade de todos se manifesta em formas concretas e diversas de ser humano. (PCN, 2001, p. 16)
Trata-se de uma discussão que, no meio escolar, valoriza as questões éticas, na medida em que os alunos conhecem os valores de sua cultura e de outras culturas, tão diferentes da sua e isso promove a necessidade de respeito pelos outrosque só é possível alcançar quando se tem a conscientização da pluralidade cultural que faz parte do cenário brasileiro.
No estudo sobre Pluralidade Cultural, dois assuntos merecem maior destaque: desigualdade social e discirminação, pois trata-se de dois aspectos que promoveram e ainda promovem a exclusão social tão marcada em nossa sociedade, impedindo a todas as pessoas do país de terem os mesmos direitos e as mesmas oportunidades.
Ambas, desigualdade social e discriminação, se articulam no que se convencionou denominar “exclusão social”: impossibilidade de acesso aos bens materiais e culturais produzidos pela sociedade, e de participação na gestão coletiva do espaço público — pressuposto da democracia. Por esse motivo, já se disse que, na prática, o Brasil não é uma sociedade regida por direitos, mas por privilégios. Os privilégios, por sua vez, assentam-se em discriminações e preconceitos de todo tipo: socioeconômico, étnico e cultural. Em outras palavras, dominação, exploração e exclusão interagem; a discriminação é resultado e instrumento desse complexo de relações. (PCN, 2001, p. 19)
Contudo, embora o Brasil seja um país marcado por tantos problemas oriundos da diversidade cultural, muitas experiências apresentadas cotidianamente nos sugerem uma esperança na valorização das diferenças, na medida em que também tentamos viver nesse mundo nos conhecendo e conhecendo os outros. Por isso consideramos imprescindível o trabalho com a Pluralidade Cultural na sala de aula, pois a discussão dessa temática pode levar as pessoas a um reconhecimento do mundo em que vive, suas caracterizações, problemas e transformações, pois são esses conhecimentos que nos abrem caminho para a cidadania.
Diferenças e preconceitos na escola
É notável que, embora reconheçamos a diversidade do nosso país, fazemos parte de uma sociedade que, de verdade, não conhece o Brasil de fato, pois sempre que tentamos definir os povos que fazem parte do território brasileiro nos utilizamos de estereótipos que descaracterizam a cultura dos mesmos.
Por não conhecer o país, não entender a sua história e todos os problemas vividos aqui, ao longo da colonização, sempre tivemos muito receio de lidar com este tema publicamente e é por isso que muitos professores se mostram, hoje, incapazes de lidar com temáticas como o racismo em sala de aula. Contudo, práticas racistas existem diariamente nas escolas. Consciente ou não, alunos, professores, funcionários se vêem em situações preconceituosas.
Embora trata-se de uma tarefa difícil é responsabilidade da sociedade, de uma forma geral, transformar as pessoas, diminuir as práticas racistas, superar o preconceito, construir e preservar valores que envolvam o respeito entre as pessoas, estabelecer as possíveis relações em meio as diferenças e todo esse processo também passa pela escola, pois como instituição que faz parte da sociedade, ela vive as práticas de discriminação e de desigualdade que promovem a exclusão das pessoas.
Mudar mentalidades, superar o preconceito e combater atitudes discriminatórias são finalidades que envolvem lidar com valores de reconhecimento e respeito mútuo, o que é tarefapara a sociedade como um todo. A escola tem um papel crucial a desempenhar nesse processo. Em primeiro lugar, porque é o espaço em que pode se dar a convivência entre crianças de origens e nível socioeconômico diferentes, com costumes e dogmas religiosos diferentes daqueles que cada uma conhece, com visões de mundo diversas daquela que compartilha em família. Em segundo, porque é um dos lugares onde são ensinadas as regras do espaço público para o convívio democrático com a diferença. Em terceiro lugar, porque a escola apresenta à criança conhecimentos sistematizados sobre o País e o mundo, e aí a realidade plural de um país como o Brasil fornece subsídios para debates e discussões em torno de questões sociais. A criança na escola convive com a diversidade e poderá aprender com ela. (PCN, 2001, p.21)
Contudo, frequentemente, vemos que a escola, quando trata da caracterização do país e do reconhecimento de sua cultura apresenta uma série de equívocos disseminando ainda mais o preconceito. Os conteúdos abordados e apresentados aos alunos privilegiam uma única forma de cultura, a forma aceitável de ser no mundo.
O Brasil é um país rico em diversidade cultural, negros, brancos, europeus, asiáticos entre outros, vivem numa sociedade heterogênea onde poderia existir um grande intercambio cultural. Infelizmente na maioria dos casos isso acaba não ocorrendo, na verdade o que acontece é uma segregação daqueles ditos diferentes e isso vai total mente contra os princípios democráticos (CARONE, 1998, p. 174).
Na escola por sua vez, isso não é diferente, a tão sonhada igualdade também não ocorre já que desde o inicio a escola é considerada uma instituição seletista que aplica em sua prática um caráter totalmente elitista (ITANI, 1998, p. 120). Isso acaba refletindo em uma sociedade igualmente seletiva, cheia de preconceitos, seja ela entre brancos e negros, heterossexuais e homossexuais, cristãos e muçulmanos entre outros.
A questão agora é como acabar ou ao menos diminuir as práticas racistas na escola:
O PCN- Pluralidade cultural deixa clara a necessidade de abordar esse tema; todavia, a grande questão é como fazê-lo sem ampliar os processos discriminatórios em nossa sociedade. É preciso muito debate, esclarecimento, denúncia e pesquisa. Desde 1988, discriminação racial é crime. Mas como comprovar isso, se não temos claro em nossa sociedade o que é discriminação racial? Algumas vezes, o que pode parecer uma simples brincadeira é, sem dúvidas um crime (SOUZA, 2001, p. 58).
Portanto o PCN deve seguir a legislação nacional:
Os Parâmetros Curriculares Nacionais são orientados de acordo com os princípios constitucionais de dignidade e igualdade de direitos, participação e responsabilidade pela vida social. Foram difundidos aos professores do Ensino Médio e Fundamental no ano de 1997, data de sua publicação, com o objetivo essencial de oportunizar a discussão em sala de aula acerca de questões sociais, tais como, Ética, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural e Orientação Sexual de forma integrada e inovadora aos conteúdos curriculares, numa perspectiva de educação para cidadania (SOUZA, MOTTA, 2002, p. 45-46)
Seguindo os Parâmetros Curriculares Nacionais podemos citar alguns exemplos de práticas cotidianas docente para o melhor desenvolvimento em uma sala de aula com grande diversidade:
Conhecer e valorizar a pluralidade étnocultural brasileira; valorizar as várias culturas presentes em nosso país; reconhecer as qualidades de cada cultura, valorizando-as criticamente; repudiar todo tipo de discriminação seja ela de ordem religiosa, étnica, sexual, entre outras; valorizar um convívio pacifico e criativo entre os diferentes; por fim compreender a desigualdade como um problema social passível de mudanças (SOUZA, MOTTA, 2002, p. 46).
Também são necessárias algumas mudanças no cenário escolar para que se reverta esse perverso quadro de discriminação racial na escola:
Uma formação continuada de professores numa perspectiva “afrocentrada”; a retirada de material de conteúdo racista do acervo das escolas e a criação de um núcleo específico na secretaria da educação a fim de trabalhar sobre o assunto do ensino de história afro-brasileira (SOUZA, MOTTA, 2002, p. 47-48).
O ensino de história afro-brasileira já é uma realidade segundo a legislação, devendo ser utilizado com o fim de unir todas as raças numa só.
Fonte:http://monografias.brasilescola.com/pedagogia/a-discriminacao-racial-seus-reflexos-no-processo-ensino.htm
Demétrio Magnoli - O pensamento racista e a discriminação racial
Demétrio Magnoli - O pensamento racista e a discriminação racial
RESENHA DO GRUPO PRECONCEITO RACIAL:
O
preconceito racial é uma forma de exclusão social bastante comum no mundo, Devemos
observar que o Brasil, apesar de ser um país com população em sua maioria negro
ou afro descendente, o racismo é uma prática muito frequente, o que nos leva a
pensar em qual seria o verdadeiro motivo para tamanha discriminação. Os antecedentes históricos mundiais
podem ser considerados como prova de que o negro sempre foi discriminado em
todos os aspectos, não tinham, por exemplo, direito à escola e até a lei do
ventre livre ser decretada, não tinham direito nem sobre seus filhos, pois,
esses na hora do nascimento eram considerados propriedades dos senhores, como
eram chamados os homens de pele branca que tinham condições financeiras de
manter sobre seu poder vários escravos e quanto maior a quantidade maior seria
o seu prestígio na sociedade. O
preconceito racial está espalhado por toda parte do país seja na
rua,escola,trabalho, em qualquer lugar sempre haverá alguém com seu preconceito.
O reconhecimento da
prática do racismo como crime é uma das expressões da decisão da sociedade
brasileira de superar a herança persistente da escravidão. Por isso,
consideramos que devemos ter união e coragem para lutar, conquistar a real
igualdade de direitos e isso só pode ocorrer quando há uma mudança de postura,
ou seja, quando as pessoas passam a ter a consciência de suas verdadeiras
histórias. É
preciso que os negros sejam vistos e tratados como pessoas comuns e normais que
são, e não como inferiores aos brancos. Esse é apenas o primeiro passo para à
sociedade se tornar menos preconceituosa.
20 de novembro comemora-se o
Dia Nacional da Consciência Negra.